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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O esforço do Levezinho

Todos os goleadores precisam um pouco que a equipa jogue para eles. Liedson não é excepção e, quando percebe que isso não acontece, amua, arma complicações e deixa secar a fonte dos golos. Mas esta semana serviu ao Levezinho para dar alguma coisa em troca e provar que também joga para a equipa. Os adversários eram fracos – Lagoa e Beira Mar – mas o regresso de Liedson aos golos e, sobretudo, a importância que teve no desmontar dos esquemas defensivos adversários vieram mostrar que está a regressar o goleador que inspira o Sporting.
Dois golos e três assistências em dois jogos são sempre obra de realce, mas mais ainda se servem para abrir resultados. Contra o Lagoa, onde jogou como gosta, com um apoiante mais móvel – Vukcevic – a contribuir para que o espaço central não esteja permanentemente ocupado e a permitir-lhe tirar rendimento das fugas pelos corredores laterais, Liedson ofereceu o primeiro golo a Moutinho e o segundo a Abel, antes de fazer ele mesmo o terceiro. Face ao Beira Mar, onde voltou a ter o mais estático Purovic perto dele, teve mais dificuldades, mas foi sempre um oásis de mobilidade no ataque leonino, acabando por fazer ele mesmo o golo de abertura, antes de assistir Vukcevic para o terceiro.
Liedson continua a ser o melhor marcador dos leões, somadas todas as provas, mas nem o próprio hesitaria em classificar a época que está a viver como fraca. Para a salvar, tem um encontro decisivo: o FC Porto chega a Alvalade já amanhã, com 14 pontos de avanço. Já é tarde para pensar no título e deve sê-lo até para chegar à liderança dos goleadores, mas sem o esforço de Liedson o Sporting não poderá sequer manter-se à vista de Benfica e V. Guimarães na luta pelo segundo lugar e assegurar concentração competitiva para os meses que faltam da época. Pode ser um fraco consolo, mas é o que há.


A VIDA EM NÚMEROS
13 foram os golos que Liedson já marcou esta época pelo Sporting: 4 na Liga, 4 na Champions, 4 na Taça da Liga e 1 na Taça de Portugal. É pouco, mas iguala Linz e só Lisandro (15) tem mais entre os goleadores da Liga.

659 são os minutos que Liedson leva sem marcar um golo na Liga, desde o jogo com a Naval. É a maior “seca” do Levezinho em Portugal, a 71 minutos do seu máximo, os 730’ que ficou à míngua entre Corinthians e Sporting.

0 são os golos feitos por Liedson a Helton, em oito confrontos entre ambos, sempre em Portugal. Mesmo assim, o Sporting ganhou dois desses jogos. Em contrapartida, marcou duas vezes ao FC Porto, para a Liga e a Taça

2 golos de Liedson aconteceram esta época fora da área: à Naval e ao Beira Mar. Esta é uma arma recente do avançado leonino, que até esta época tinha limitado a sua eficácia aos derradeiros 16 metros.
Publicado em O Jogo, 26/01/2008

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Helton - A besta negra de Liedson

Desde que marcou à Naval, em inícios de Novembro, Liedson já fez golos na Liga dos Campeões, na Taça de Portugal e na Taça da Liga, mas nada disso impede que esteja a atravessar a maior seca goleadora da sua carreira no campeonato português. São já 659 minutos sem marcar na Liga e, para evitar o estabelecimento de um novo máximo pessoal – esteve 730 minutos sem golos na transição entre o Corinthians e o Sporting, em 2003 – sabe que precisa de enfrentar Helton, a sua “besta negra”, um guarda-redes ao qual nunca fez um único golo.
Nas oito vezes que os dois se defrontaram – sempre em Portugal, porque a chegada de Liedson ao Flamengo, em Julho de 2002, coincidiu com a passagem de Helton do Vasco para a U. Leiria – o “Levezinho” jogou sempre os 90 minutos mas nunca marcou um único golo. E Helton aproveitou esse facto para ter um registo positivo neste confronto: ganhou três jogos e perdeu apenas dois. Curiosamente, nas duas vezes que defrontou o Sporting sem Liedson (na estreia, em 2002/03, e na época passada, no Dragão), o guardião brasileiro nunca venceu.
A dificuldade de Liedson para marcar golos a Helton pode ser justificada com o “modus operandi” do goleador leonino e com o facto de ele não se encaixar nas debilidades do guardião portista. Cinco dos últimos dez golos de Liedson na Liga foram obtidos de cabeça, mas apenas um deles (à Académica, já esta época) apareceu no seguimento de um lance de bola parada. Em contrapartida, Helton sofre golos sobretudo em bolas paradas: foi assim que encaixou seis dos últimos dez golos na Liga.


HELTON CONTRA LIEDSON
Época Jogo Golos sofridos
2003/04 Sporting 2, U. Leiria 0 Lourenço e P. Barbosa (gp)
2003/04 U. Leiria 1, Sporting 0 -
2004/05 Sporting 2, U. Leiria 2 Rogério e Beto
2004/05 U. Leiria 0, Sporting 0 -
2005/06 Sporting 0, FC Porto 1 -
2006/07 Sporting 1, FC Porto 1 Yannick
2007/08 Sporting 1, FC Porto 0 Izmailov
2007/08 FC Porto 1, Sporting 0 -

ÚLTIMOS 10 GOLOS A HELTON NA LIGA
Autor Como com o quê
Lipatin Remate de fora área pé direito
Mateus penalti pé direito
Maurício Livre indirecto de meio-campo cabeça
Zé Pedro Isolado na cara do g. redes pé esquerdo
João Pinto Passe rasteiro da esquerda pé direito
Moreira Livre indirecto da direita pé direito
Antunes Livre directo na meia direita pé esquerdo
Ricardo Silva Canto da esquerda devolvido cabeça
Zé Manuel Isolado na cara do g. redes pé direito
Nivaldo Canto da direita cabeça

ÚLTIMOS 10 GOLOS DE LIEDSON NA LIGA
Adversário Como com o quê
Naval Remate de fora área pé esquerdo
E. Amadora Isolado na cara do g. redes pé direito
Belenenses Cruzamento da esquerda cabeça
Académica Livre indirecto da direita cabeça
Belenenses Isolado na cara do g. redes pé direito
Académica Cruzamento da esquerda pé direito
V. Setúbal Cruzamento da direita cabeça
V. Setúbal Cruzamento da direita cabeça
Benfica Cruzamento da direita cabeça
Marítimo Isolado na cara do g. redes pé direito

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Secou a fonte dos golos levezinhos

No momento em que Tonel fazia, de cabeça, o golo que colocava o Sporting em vantagem sobre a Académica, em Coimbra, Liedson estabelecia um novo recorde negativo. Ao mesmo tempo que ia buscar a bola ao fundo da baliza de Pedro Roma e a pontapeava para longe, antes de se juntar discretamente à celebração colectiva, montada junto à bandeirola de canto, o melhor goleador leonino dos últimos anos superava o seu anterior máximo de tempo de jogo sem marcar golos na Liga portuguesa, que agora se fixa em 659 minutos. É um valor inferior ao de qualquer dos melhores goleadores da prova (ver textos nestas páginas), mas mesmo assim disso se tem ressentido o Sporting, que no período negro do “Levezinho” viu fugir de forma irremediável o FC Porto na luta pelo título e até já se deixou ultrapassar pelo V. Guimarães na luta pela terceira posição, que dá acesso à Liga dos Campeões.
Paulo Bento, treinador do Sporting, sabe que para devolver a equipa ao bom caminho precisa de resolver o enigma Liedson. Por que razão deixou Liedson de decidir jogos? A explicação mais vezes apontada por antigos goleadores de ofício para estes períodos de seca tem a ver com uma quebra de confiança, com o modo como o jogador se sente. “O fundamental é a confiança e a auto-estima do goleador, no sentido de nunca desanimar a acreditar sempre que até ao fim de um jogo pode aparecer um lance de golo”, avança o bi-Bota de Ouro Fernando Gomes, seis vezes melhor marcador do campeonato nacional, sempre com a camisola do FC Porto, mas que no final da carreira ainda representou o Sporting. O caso de Liedson pode, de facto, começar por ser uma questão de confiança, mas convém não afastar à partida outros factores, desde o pessoal ao táctico. Domingos Paciência, que como treinador da Académica, também contribuiu para aumentar a “seca” do goleador sportinguista, sabe bem o que Liedson está a passar, sobretudo porque foi o último grande atacante “Levezinho” na nossa Liga.
“Antes do jogo disse aos meus jogadores que perante um jogador como o Liedson, que tem grande mobilidade, o fundamental é não abandonar o espaço, não deixar a zona frente à baliza liberta para movimentos de ruptura”, revela o técnico da Académica, que no tempo em que, com a camisola do FC Porto, se sagrou melhor marcador do campeonato, pesava exactamente o mesmo que Liedson (63 quilos), medindo menos um centímetro (1,74m face aos 1,75m do atacante leonino). Ora a questão é que a presença de Purovic, um ponta-de-lança mais fixo, a fazer dupla de ataque com Liedson, vem ajudar os defesas adversários a centrarem-se mais na zona frontal, impedindo-os por isso de abandonar esse espaço. “É melhor para nós, porque com um jogador mais fixo há uma referência de marcação. As movimentações típicas do Liedson são a fuga para as alas, sobretudo a esquerda, quando o ataque organizado do Sporting não sai à primeira, ajudando aí a esticar o jogo e surgindo depois de surpresa no meio, no espaço que libertou”, considera Domingos. “Jogar contra Liedson e Derlei, por exemplo, é completamente diferente”, sintetiza o treinador da Académica, que pegou na equipa precisamente depois de esta ter sido trucidada (4-1) por essa dupla atacante, no jogo da primeira volta, em Alvalade.
Fernando Gomes era um ponta-de-lança diferente, mais clássico e habituado a jogar em 4x3x3, sozinho na área, com dois extremos a ladeá-lo, mas também crê que a adequação ao sistema táctico tem influência nas secas que os goleadores passam. Não acredita, contudo, que esse aspecto seja fundamental. “É verdade que marquei mais golos a jogar como único ponta-de-lança, mas também fui melhor marcador a jogar em dupla com o Duda ou depois com o Walsh”, sustenta. “Acredito que os jogadores podem ter o seu espaço em campo e que se alguém ocupar esse espaço possam ressentir-se, mas além das questões físicas, o fundamental é o goleador sentir que todos estão com ele”, complementa Fernando Gomes, que admite também alguma influência de factores extra-futebol. “Os problemas pessoais também podem afectar o rendimento: tudo o que afecta o homem afecta o jogador”, diz, referindo-se ao castigo recentemente imposto a Liedson, na sequência de este se ter recusado a marcar um penalti num treino. “Parece-me que isso o afectou bastante. Eu lembro-me que quando não estava bem com o treinador, não funcionava tão bem. Porque o avançado tem que sentir que tudo rema para o mesmo lado, que é para ele marcar”, completa Fernando Gomes.É que se é normal que qualquer goleador passe por más fases, ao número 31 leonino isso raramente acontecia. Sem festejar um golo pessoal na Liga desde que, com um invulgar remate de fora da área, ajudou a resolver o jogo do Sporting com a Naval, em Alvalade, a 4 de Novembro do ano passado, Liedson marcou desde então na Champions, à Roma e ao Dynamo Kiev, mas precisa de recuar ao período da sua saída do Corinthians para encontrar período mais negativo em campeonatos nacionais: nessa altura, mediaram 730 minutos entre o seu último golo pelo “Timão”, marcado ao Fluminense a 29 de Junho de 2003, e o primeiro que fez pelo Sporting, a 4 de Outubro, ao Marítimo. Em Portugal, a sua mais longa seca era de 649 minutos, entre o golo com que fechou a vitória leonina sobre o Belenenses, a 24 de Janeiro de 2004, e aquele com que fechou outro sucesso, face ao Alverca, a 16 de Março do mesmo ano. A visita do Lagoa, hoje, em jogo da Taça de Portugal, não interromperá a seca em jogos de campeonato, mas pode pelo menos ajudar a anular algumas das suas explicações. Assim Liedson jogue e encontre o caminho das redes, de forma a restabelecer a confiança.
MAUS MOMENTOS DOS GOLEADORES
Lisandro Lopez
Racing Avellaneda e FC Porto
819 minutos

A época em que foi o melhor marcador do campeonato argentino foi também aquela em que Liasndro Lopez experimentou o maior período de seca goleadora. A 18 de Setembro de 2004 fez o único golo do Racing na derrota (1-2) frente ao Gimnasio de La Plata, só voltando depois a festejar a 13 de Novembro, quando bisou na vitória por 2-0 no terreno do Almagro. No FC Porto, apesar de ter passado as duas primeiras épocas a jogar numa ala, o pior que regista são 682 minutos em branco (de 6-11-06 a 16-2-07).

Linz
Áustria Viena, Admira Mödling, Nice, Sturm Graz, Boavista e Sp. Braga
1074 minutos
O austríaco do Sp. Braga tem dois períodos negros na sua vida de goleador. Entre Agosto de 2002 e o mesmo mês de 2003 esteve a oito dias de completar um ano sem marcar, embora a condição de pouco utilizado no Áustria lhe tenha limitado a série a 637 minutos. A maior seca (1074’) viveu-a entre 20 de Maio de 2004 e 19 de Março de 2005, muito graças ao meio ano em branco no Nice, entre as passagens pelo Admira e pelo Sturm Graz. Em Portugal, ainda não passou dos 611’, pelo Boavista, de 18-12-2006 a 31-3-07.

Edinho
Sp. Braga, P- Ferreira, Gil Vicente e V. Setúbal
970 minutos

Edinho está a viver uma época de ouro, mas só quando passou a começar no banco é que quebrou a mais longa seca goleadora da sua carreira. Depois de, a 7 de Abril de 2007, ter marcado ao Vizela o primeiro golo de uma vitória (2-1) do Gil Vicente, na II Liga, Edinho encetou um longo período de desinspiração, que se alargou às primeiras três rondas desta época, já em Setúbal. E só a 14 de Setembro, quando perdeu a titularidade na equipa de Carvalhal, é que voltou a marcar, no triunfo (3-1) sobre o Sp. Braga. 970 minutos depois.

Nuno Gomes
Boavista, Benfica e Fiorentina
1085 minutos

A maior seca goleadora de Nuno Gomes ocorreu na última época de xadrez antes de se mudar para o Benfica. Depois de, a 18 de Janeiro de 1997, marcar, aos 26’, um golo que recolocava o Boavista comandado pelo interino Rui Casaca em vantagem sobre o Estrela da Amadora (2-1), Nuno Gomes zangou-se com as balizas até que, a 27 de Abril, já com Mário Reis na liderança do onze, fez um “hat-trick” na goleada (7-0) ao Gil Vicente. No Benfica, Nuno Gomes nunca esteve mais de 827 minutos sem marcar.

Makukula
Salamanca, Leganés, Nantes, Valladolid, Sevilha, Nastic e Marítimo
964 minutos
Makukula já esteve mais de um ano sem fazer golos, de Fevereiro de 2005 a Outubro de 2006, mas com uma grave lesão pelo meio, pelo que a maior seca (964 minutos) remonta à passagem por França. Que até começou bem, pois marcou logo na segunda partida, ajudando a mitigar a derrota do Nantes (1-2) no Mónaco. Só que esse foi o primeiro e o último golo de Makukula no Nantes. Após 11 de Setembro de 2002, só voltou a celebrar a 27 de Setembro de 2003, bisando na derrota do Valladolid em Vigo, contra o Celta (2-3).

João Paulo
Aves, Feirense, V. Setúbal, Boavista, Boavista, Varzim, Beira Mar, Estoril, Tenerife, P. Ferreira e U. Leiria
2140 minutos

Uma das jovens promessas portuguesas para o ataque, João Paulo conjugou presenças nas selecções jovens com um período de difícil afirmação na Liga. Após empréstimos a Aves, Feirense e V. Setúbal, estreou-se na Liga pelo Boavista, mas só conseguiu o primeiro golo a 16 de Janeiro de 2004, pelo Beira Mar, depois de ter passado pelo meio uma época no Varzim. Ao todo, foram mais de três anos e 2140 minutos sem marcar, desde o último golo, conseguido pelo V. Setúbal, ao Marco, a 12 de Novembro de 2000, na II Liga.
Publicado em Diário de Notícias, 19/1/2008

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Como enquadrar Liedson

Não têm passado despercebidas as constantes discussões de Liedson com Purovic. No final de cada lance em que vão ambos ao mesmo poste, para acorrer a um cruzamento, ou em que não se cruzam de forma a que um ceda a bola ao outro, lá ficam a tentar perceber o que correu mal. Pois bem, já é altura de o perceber: Purovic não é o tipo de jogador que mais convém a Liedson. Para poder aproveitar melhor a conjugação de mobilidade com oportunismo e agilidade que o caracterizam, o “Levezinho” precisa de outro avançado tão móvel quanto ele. Aliás, embora alguns até tenham conseguido alguma rentabilidade própria, nenhum dos avançados mais fixos que passaram pelo Sporting conseguiu tirar o melhor de Liedson (ver quadros nestas páginas).
No futebol português há uma tradição recente de “segundos avançados” que precisavam de um jogador fisicamente forte a seu lado ou uns metros à sua frente para poderem brilhar. Era o caso de Nuno Gomes, Sá Pinto ou João Pinto, por exemplo. A questão é que, embora goste de se mexer por toda a frente de ataque, embora não fixe a posição no centro, não seja por isso um avançado posicional, como Jardel, por exemplo, Liedson também não é um “segundo avançado”: é mais um Domingos do que um João Pinto. Para melhor aparecer, Liedson precisa de um companheiro igualmente móvel, que distraia os defesas adversários mas saia da frente na altura exacta em que o brasileiro se prepara para surgir em zona de finalização. A articulação destes movimentos leva tempo, mas foi em nome desta ideia que Paulo Bento estabeleceu uma hierarquia dos companheiros para Liedson no plantel leonino desta época: em primeiro lugar Derlei, em segundo Yannick e só no fim Purovic, que enquanto os quatro estiveram disponíveis passou alguns jogos sem sequer ir ao banco.
O montenegrino até pode ser o mais indicado dos quatro para jogar sozinho na frente, em 4x2x3x1 ou em 4x3x3, porque este é um esquema que pede mais do ataque posicional, que dá mais largura ao jogo da equipa e apela mais aos cruzamentos. Mas em 4x4x2 com o meio-campo em losango, esquema em que se abusa das combinações interiores e tantas vezes se pede aos avançados para caírem numa faixa, o seu futebol chega a parecer ridículo: são bolas de canela, são esforços infrutíferos para acorrer a passes para a faixa lateral e, como se tudo não bastasse, são inúmeros lances em que, por se movimentar na lógica do ponta-de-lança solitário, fica (ele e o seu marcador) a preencher a zona que Liedson quereria vazia para aparecer a concluir. É muito por estar forçado a jogar ao lado de Purovic que Liedson atravessa uma das maiores secas goleadoras que se lhe conhecem no Sporting. Com o montenegrino em campo, o “Levezinho” fez apenas dois golos, ambos em lances com interferência de Vukcevic: o primeiro ao Belenenses, num caso raro em que foram um ao primeiro poste e outro ao segundo, e onde o cruzamento é perfeito; o segundo ao E. Amadora, numa transição rápida após recuperação de bola a meio-campo, que deixou os dois isolados face ao guarda-redes. Isto passou-se a 16 de Setembro. Há quatro meses.Sem as primeiras opções e mesmo sem a possibilidade de ter um avançado no banco, Paulo Bento vacilou entre deixar Liedson só na frente – em quatro anos ainda não fez um jogo inteiro assim – ou chamar para ali Vukcevic. O que acaba por ser quase a mesma coisa: o outro montenegrino movimenta-se bastante, mas não no sentido que convém ao brasileiro. Vukcevic é um médio e não um avançado: não ocupa o centro do ataque, o que convém a Liedson, mas joga uns metros atrás dele, pelo que também não tira os adversários da área. Mesmo assim, foi o suficiente para se ver um Liedson mais rematador e três vezes à beira de comemorar um golo.
OS MELHORES PARCEIROS PARA LIEDSON
Jogador Épocas Um golo a cada Totais
João Pinto 2003/04 30 minutos 30 minutos/1 golos
Lourenço 2003/04 69 minutos 481 minutos/7 golos
Pinilla 2004/05 a 2005/06 81 minutos 484 minutos/6 golos
Sá Pinto 2003/04 a 2005/06 94 minutos 1223 minutos/13 golos
Douala 2004/05 a 2005/06 128 minutos 1669 minutos/13 golos
Derlei 2007/08 135 minutos 269 minutos/2 golos
Bueno 2006/07 142 minutos 710 minutos/5 golos
Yannick 2006/07 a 2007/08 153 minutos 917 minutos/6 golos
Koke 2005/06 179 minutos 179 minutos/1 golos
Niculae 2003/04 a 2004/05 216 minutos 865 minutos/4 golos
Silva 2003/04 237 minutos 1423 minutos/6 golos
Alecsandro 2006/07 239 minutos 959 minutos/4 golos
Deivid 2005/06 a 2006/07 272 minutos 1362 minutos/5 golos
Purovic 2006/07 375 minutos 750 minutos/2 golos
Mota 2004/05 - 101 minutos/0 golos
Danny 2004/05 - 60 minutos/0 golos
Paez 2007/08 - 46 minutos/0 golos
Varela 2005/06 - 34 minutos/0 golos
Celsinho 2007/08 - 7 minutos/0 golos

E OS MAIS EFICAZES
Jogador Épocas Um golo a cada Totais

Alecsandro 2006/07 120 minutos 959 minutos/8 golos
Sá Pinto 2003/04 a 2005/06 175 minutos 1223 minutos/7 golos
Bueno 2006/07 178 minutos 710 minutos/4 golos
Deivid 2005/06 a 2006/07 227 minutos 1362 minutos/6 golos
Pinilla 2004/05 a 2005/06 242 minutos 484 minutos/2 golos
Derlei 2007/08 269 minutos 269 minutos/1 golo
Silva 2003/04 284 minutos 1423 minutos/5 golos
Douala 2004/05 a 2005/06 334 minutos 1669 minutos/5 golos
Purovic 2006/07 375 minutos 750 minutos/2 golos
Niculae 2003/04 a 2004/05 433 minutos 865 minutos/2 golos
Yannick 2006/07 a 2007/08 459 minutos 917 minutos/2 golos
Celsinho 2007/08 - 7 minutos/0 golos
João Pinto 2003/04 - 30 minutos/0 golos
Varela 2005/06 - 34 minutos/0 golos
Paez 2007/08 - 46 minutos/0 golos
Danny 2004/05 - 60 minutos/0 golos
Mota 2004/05 - 101 minutos/0 golos
Koke 2005/06 - 179 minutos/0 golos
Lourenço 2003/04 - 481 minutos/0 golos

Nota – No primeiro quadro verifica-se quais foram os parceiros ao lado dos quais Liedson fez mais golos. No segundo, vê-se quais foram os que fizeram mais golos ao lado de Liedson. São contabilizados apenas os jogos da Liga portuguesa e os minutos jogados ao lado de Liedson.
Mobilidade é uma arma
Os parceiros que mais convieram a Liedson nos quatro anos e meio que leva no Sporting foram todos jogadores que se destacavam pela mobilidade. Mesmo que tiremos do lote João Pinto, que na época de estreia do “Levezinho” jogou apenas 30 minutos a seu lado como ponta-de-lança, verifica-se que os jogadores que mais fizeram render Liedson foram Lourenço, Pinilla (surpresa!), Sá Pinto, Douala e Derlei. Purovic tem a pior média entre todos os que passaram pelo menos dois jogos inteiros ao lado do melhor goleador leonino, sendo secundado neste aspecto por outros atacantes mais posicionais, como Deivid, Alecsandro, Silva, Niculae e Koke.
Embora os números de Pinilla possam ser inflaccionados pelo facto de ter jogado ao lado de Liedson na época em que o Sporting mais produziu ofensivamente – 2004/05, em que o “Levezinho” fez 25 golos – é evidente a tendência para o brasileiro marcar mais quando tem a seu lado outros jogadores móveis. E neste aspecto repara-se que Yannick surge pior colocado do que Lourenço ou Douala, dois jogadores que o Sporting desprezou numa altura em que tinha com eles contrato. Talvez a explicação se encontre no segundo gráfico, onde se mostram os jogadores que mais golos marcaram ao lado de Liedson: Lourenço não marcou um único golo enquanto fazia dupla de pontas-de-lança com o brasileiro, enquanto que Douala também aparece fora do “top”, pois precisava de quase quatro jogos inteiros para levar a bola ao fundo das redes.
Nesse aspecto, o que se percebe mal é a dispensa de Alecsandro que, ao lado de Liedson, marcou quase um golo por jogo e formou, com Deivid, o lote dos poucos que marcaram mais do que o Levezinho enquanto coexistiram em campo.
Publicado em "O Jogo", 16/01/2008