sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

FC Porto arrasa na estatística

A superioridade do FC Porto de Jesualdo Ferreira na Liga não se limita à tabela classificativa: estende-se também às estatísticas, onde o líder do campeonato se mostra igualmente dominador. De acordo com os números publicados nas fichas de jogo pelo “Record”, o FC Porto é a equipa que mais remata, mas também aquela que menos finalizações permite ao adversário. Eis uma explicação para o facto de ser líder, tendo o melhor ataque e a melhor defesa.
No capítulo ofensivo, o FC Porto rematou 207 vezes em 14 jogos, a uma média de quase 15 tentativas por desafio. Nesses 207 remates, obteve 32 golos, donde se conclui que marca um a cada seis remates e meio. E, neste particular, só não é a equipa mais eficaz da Liga porque o Nacional só precisa de chutar 5,8 vezes à baliza para fazer um golo. O Benfica, segundo nesta tabela de eficácia, necessita de seis remates para marcar, ao passo que o Estrela da Amadora se perde em inúmeras tentativas estéreis, como se comprova pelos 14,2 remates de que precisa para fazer um golo.
Mas é no plano defensivo que o FC Porto mais se destaca, asfixiando os adversários de tal forma que raramente lhes permite chegarem a situações de conclusão. Em 14 jornadas, a equipa portista só deixou que visassem a baliza de Helton por 95 vezes, a uma média de 6,8 por jogo. Neste aspecto, o onze de Jesualdo supera o Belenenses e o Sporting, as outras duas equipas que menos remates permitem. Contudo, o Belenenses de Jorge Jesus é a formação mais regular, a que por menos vezes deixou os adversários atingirem o duplo dígito no total de remates – só o Desp. Aves (10) e o FC Porto (14) o fizeram frente aos azuis do Restelo, que no primeiro desses jogos até ganharam por 1-0. Melhor que as quatro ocasiões acima de nove remates consentidos do FC Porto está ainda o Sporting, com três, frente ao Nacional (12), E. Amadora (10) e Beira Mar (11), em jogos de grau de dificuldade não muito elevado, mas onde a concentração não terá sido a melhor.
Notável é a forma como o Marítimo, de longe a equipa cuja baliza foi mais vezes alvejada (196, contra 173 do V. Setúbal) tem atrás dele sete defesas mais batidas na Liga. Aqui, é mesmo uma questão de eficácia – para fazer um golo ao Marítimo, é preciso chutar 11,5 vezes, números que só o Sporting (13 remates por golo) e FC Porto (11,9) superam nesta Liga. Por exemplo, em Braga, à oitava jornada, o Marítimo permitiu 29 remates (um recorde do campeonato), cedendo apenas um golo e acabando por ganhar o jogo por 4-1. Este é, contudo, um caso raro, pois a generalidade das equipas andam próximo da média da Liga, onde nas primeiras 14 jornadas se fizeram 2266 remates e se marcaram 273 golos. Basta fazer as contas para perceber que se marca um golo a cada 8,3 remates. Muito? Pouco? Depende do ponto de vista.


Dois campeões da correcção
A U. Leiria e o Benfica são os campeões da correcção nas primeiras 14 jornadas de campeonato. Ao todo, os jogadores de Domingos Paciência e os de Fernando Santos fizeram apenas 209 faltas, a uma média de 14,9 por jogo, e superam mesmo o líder FC Porto (210). O Sporting, com 236 infracções cometidas, é ainda mais faltoso que o Braga (234) e… o Beira Mar, cujas 219 faltas (em muito mais tempo sem bola) já podem ser consideradas no âmbito do défice de agressividade defensiva.
Em contrapartida, a equipa mais faltosa do campeonato é o Paços de Ferreira, com 294 irregularidades detectadas. O Boavista, de quem se fala sempre quando se fala de faltas, está num anónimo lugar a meio da tabela: cometeu 258 faltas e até baixou consideravelmente a média desde que Jaime Pacheco tomou conta da equipa – viajou nas primeiras sete jornadas a uma média de 20,3 faltas por jogo e baixou com Pacheco para umas 16,6 que lhe permitiriam estar entre os mais correctos.
Se virarmos o ângulo de observação, verificamos que a equipa mais castigada com pancada é claramente o V. Setúbal, em cujo favor foram apitadas 295 faltas, bem mais que as 277 do FC Porto ou as 270 do Sporting. Só no primeiro jogo, contra a Académica, os sadinos foram travados em falta por 38 vezes, um recorde desta Liga.


Publicado em Record, 27/12/2006

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