sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

O bloqueio belenense

No final do jogo com o Sporting, Jorge Jesus começou por parecer envergonhar-se do que ia dizer, mas depois avançou, sem medos. “O Belenenses é a equipa tacticamente mais forte da Liga”, sentenciou. A razão do orgulho do treinador estava no bloqueio que a sua equipa acabara de impor ao Sporting, à custa de três pequenos truques: subida dos laterais, para se aproximarem das zonas onde os médios-interiores leoninos costumam causar desequilíbrios; concentração de homens na zona central, para lhes apertar o cerco, impedir os deslocamentos e inibir as variações de centro de jogo do meio-campo do Sporting; e, à semelhança do que já tinha feito com o Benfica (na altura os atacantes encarnados caíram 12 vezes em fora-de-jogo), coordenação milimétrica da linha defensiva para reduzir o espaço de jogo e deixar os avançados adversários em permanente fora-de-jogo. Resultou: o zero na baliza de Costinha ficou desde logo garantido. O pior foi o resto. A equipa aprendeu a lição defensiva mas, seja por falta de “estudos” ou de meios, não fez mal ao adversário no ataque, nem sequer na meia-distância, em que é perita. E quando tentou mudar-se para a zona próxima à baliza de Tiago, trocando um dos homens que segurava o meio-campo (Mancuso) por mais um ala (Amaral entrou para defesa-direito e Cândido Costa subiu no terreno), descurou a lição inicial. Perdeu o controlo do jogo e arriscou uma punição (derrota) que não merecia.

Publicado em Correio da Manhã, 17/1/2007

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